As palavras mais sábias de conforto que eu já ouvi são: tudo passa. Embora não fosse eu a ser consolada naquela ocasião, ou talvez justamente por isso, a expressão me impressionou, acho que pela simplicidade. E desde então ela me persegue como a voz de uma fada que insiste em soprar no meu ouvido com seu arzinho arrogante: ''não seja boba, tudo passa''.
No momento em que passamos por uma crise a única coisa que nós não conseguimos perceber é exatamente essa transitoriedade das coisas. E é só depois de passado o período sombrio que a constatação se dá: é verdade, tudo passa. A idéia é ainda mais apropriada se pensarmos que ela nos oferece uma saída diante daquilo que já não temos como reverter. E o melhor é que, por mais que a fase a ser superada seja difícil, funciona. Já faz algum tempo que presenciei a tal cena de uma colega sendo apoiada por outra com a profética frase. E eis que a partir de então venho testando a dita cuja, que ainda não falhou.
Já dizia alguém que a nossa maior dificuldade está em ver o simples. Assim, o melhor jeito de sair do turbilhão é não tentar nadar contra a corrente. O que, no entanto, não significa deixar de agir, mas implica em trabalhar a favor da mudança e não contra ela. Tudo muito óbvio e bem mais complicado ''na hora do vamos ver''. Ainda assim, de tempos em tempos aquela cena vem à tona e a fadinha continua piscando para mim confirmando a senteça: ''viu só''.

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