Se tem alguém que eu gostaria de conhecer e entrevistar é o gênio criador do golpe do bilhete premiado. Entre os golpes sobre os quais eu já ouvi falar esse me parece ser um dos mais antigos e mais divulgados pelos noticiários, e no entanto as pessoas continuam se rendendo à tentação do dinheiro fácil, que depois revela-se uma bem armada encenação para tomar o dinheiro delas próprias.
O golpe pega a vítima de jeito porque faz com que esta pense ser ela a parte que está obtendo vantagem. E é aí que ''a porca torce o rabo''. O espertalhão descobre que outros foram mais espertos que ele e, como em muitos casos, nem chega a avisar a polícia por vergonha. Mesmo com tantos casos que acabam silenciados, a polícia diz que registra com frequência ocorrências do tipo.
Fico imaginado o criador do tal golpe vendo sua obra se proliferar, orgulhoso da artimanha criada por ele e divertindo-se com o constrangimento daqueles que se deixaram levar pela esperta lorota. O que ele teria a dizer a respeito? Estaria ele milionário? Será que ele gostaria de receber por seus direitos autorais? Nesse caso ia faltar banco para guardar tanto dinheiro.
O pior é que o golpe só funciona e só engana porque o golpista sempre encontra quem não veja problema em aproveitar a dificuldade do outro para duplicar seu patrimônio. A vítima é tão ambiciosa quanto o bandido. A tentação é grande e, de fraqueza em fraqueza, o golpe vai sobrevivendo, talvez se aperfeiçoando e, pelo jeito, mostrando que veio pra ficar.

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