LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de agosto de 2007
André Amorim<br>Equipe da Folha 
Antes do frio tornar-se implacável na capital paranaense, decidi realizar um piquenique cultural há muito planejado. Chamei um casal de amigos, compramos alguns quitutes, uma garrafa de boa pinga mineira e nos mandamos para o Museu Oscar Niemeyer, vizinho a um bosque onde a turma costuma levar a cachorrada para passear. O problema é que com isso quase toda extensão de grama é premiada com as obras dos bichos.
Pois bem, após uma longa e estudada caminhada a procura de um lugar ao sol, encontramos um cantinho aconchegante. Um lanche e logo sentimo-nos preparados para a jornada cultural que nos aguardava museu adentro. Arte contemporânea argentina, estudos cromáticos de um tal artista de Santa Catarina, vestidos em miniatura devorados por ratos ao longo da exposição. Tudo muito interessante, muito sofisticado, muito chique.
Se tem alguma coisa que aprendi indo a museus é como fingir que estou apreciando os quadros. Nessas situações, coloco a mão no queixo, observo a tela com expressão lúgubre e ao final de algum tempo, balanço a cabeça afirmativamente, como se tivesse entendido o sentido que o autor pretendeu expressar na obra (mesmo que no fundo você ache que o artista estaria melhor carpindo um terreno). Nunca reconheça que você não entendeu lhufas daquelas bandeirinhas pintadas, nem ouse sugerir que uma criança faria melhor do que os horrendos estudos cromáticos. Saiba que alguém esquentou a moringa por você selecionando o que deveria ser apreciado.
Ao fim do passeio, todos tentavam esboçar alguma opinião sobre as exposições que fosse além a comentários como: Será que isso pintado é um cavalo?
Lá fora, quando nos preparávamos para deixar o museu, fomos silênciados por um pôr-do-sol magnífico. Ali parados, nos demos conta de que para apreciar a beleza não é preciso nenhuma escola, nenhum discurso. Nem são necessários filtros ou máscaras, muito pelo contrário. Ao nos despirmos de todos os preconceitos é que conseguimos enxergar mais longe do que o olho alcança e sermos tocados pela beleza da criação.


