LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Luiza Xavier<br> Equipe da Folha 
Noite dessas, durante a comemoração do aniversário de uma colega do trabalho, um grupo animado reuniu-se em torno de comes e bebes em um lugar bem agradável, que eu não conhecia. Também era a primeira vez que encontrava a maioria dos convidados, o que, entretanto, não impediu que o papo fluísse naturalmente. A certa altura, um dos homens sentados à mesa se dirigiu a mim, dizendo que achava me conhecer de ''algum lugar''. Ao comentário dele, seguiu-se o de uma das convidadas, que também afirmava acreditar já ter me encontrado ''em algum evento''.
Sorri para os dois e expliquei que era impossível, pois estou há pouco tempo na cidade e, nesse período, trabalhei em outra área. Completei a frase dizendo que compreendia a sensação deles, porque sou um tipo absolutamente comum. Foi o bastante para que uma amiga me olhasse com espanto, com ar de reprovação, dizendo ''ah, o que é isso!''. O assunto foi encerrado ali, entre risos. Mas, voltando para casa, fui refletindo a respeito do tema ''ser ou não ser comum''. No meu caso, não é exagero.
Eu já fui parada em pleno shopping do centro de Curitiba por um senhor que insistia que eu era a sobrinha de um amigo dele. Não são raros os casos em que pessoas me cumprimentam, sorriem e eu, claro, retribuo, mesmo sem fazer a menor idéia de quem sejam. Até crianças já vieram correndo na minha direção achando que eu era a mãe delas! E isso na Capital nacionalmente conhecida pela sisudez. Ou seja, eu pareço familiar, diria até confiável. Poderia ser a vizinha a quem você pede uma xícara de açúcar, aquela prima que você só encontra no Natal, a gerente do seu banco...
Não sei porque isso pode parecer negativo. Mas, tenho uma vaga idéia. A todo momento somos convocados a nos lançar na busca frenética pela diferenciação. Não basta ser eficiente, precisamos ser o melhor. Viver a vida do modo que queremos é bom, mas torná-la digna de uma biografia não tem preço. Mensagens desse tipo nos dizem o tempo todo para comprar isso ou aquilo para que não sejamos apenas mais um (ou mais uma) na multidão. Mas, eu prefiro subverter a ordem e continuar a responder aos cumprimentos dos desconhecidos.


