LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Adriana De Cunto<br> Editora 
Quem nunca andou de ônibus superlotado e ouviu aquela famosa frase do cobrador pedindo um ''passinho pra frente, por favor''? Lembro que quando era estudante, na Universidade Estadual de Londrina, e ouvia o suplicante pedido, uma amiga da faculdade sempre respondia: ''É contra as lei da física...'' Na maioria das vezes, o cobrador não entendia a provocação e continuava a ladainha. ''Um passinho pra frente, por favor'', repetia, desanimado.
Nós ignorávamos a ordem e abríamos o braços, afastávamos as pernas na tentativa de ocupar mais espaço e impedir o constrangedor aperto no corredor do coletivo. Resistíamos bravamente até vir a ameaça do motorista. ''O ônibus não anda enquanto vocês não abrirem espaço'', gritava o condutor lá da frente.
Alguns continuavam resistindo igual ao estudante chinês confrontando o tanque de guerra naquele triste Massacre da Praça da Paz Celestial. Outros, resignados, se espremiam. ''Não valia a pena perder a prova ou a chamada'', diziam.
Já faz 20 anos que saí da faculdade e pelo visto nada mudou. Foi assim que me senti quando li ontem notícia de que estudantes de Londrina se revoltaram contra a superlotação de um ônibus e a polícia teve até que ser chamada.
Ninguém merece ônibus cheio. Pelo jeito, a lotação já está extrapolando até mesmo o serviço de transporte coletivo e chegando nos mais alternativos, como a Linha Turismo - que cobra R$ 16 a passagem e passa por 25 pontos turísticos de Curitiba. Primos de São Paulo que visitaram a cidade em julho fizeram o passeio e reclamaram que tinha muita gente em pé no ônibus. Para que eles pudesem ver alguns dos locais anunciados, tinham que apelar: ''Licença, por favor''.


