Nunca tive muita dificuldade para aprender as coisas e mesmo quando a tarefa é mais complicada, um pouco de esforço sempre resolve. Acontece que há quase um ano tive a experiência de me deparar com uma limitação irremediável. Na verdade, descobrir que sou um pouquinho daltônica não afetou a minha rotina. Mas eu experimentei o quanto é desagradável sentir-se limitada.
Para quem assistiu ao filme Pequena Miss Sunshine é só lembrar da reação do irmão da protagonista ao descobrir que não poderá ser piloto de avião porque não distingue as cores. A minha reação foi menos explosiva, mas o inconformismo é o mesmo. Ainda mais quando você escuta do médico que o defeito é ainda mais raro entre as mulheres e que eu fui a premiada.
Tenho sorte de nunca ter sonhado em pilotar jatos e confesso que até me diverti com o inusitado da história. O que achei mais curioso foi ter descoberto meu quase daltonismo só oito anos depois de ter tirado minha primeira carteira de habilitação e de já tê-la renovado uma vez. Um dos tios da minha avó, um espanhol de quase 90 anos, diz que não vai ao médico porque não gosta de procurar doença. Quem sabe ele esteja certo. Até alguém nos dizer o que não podemos fazer isso não faz falta alguma.
Conhecer os próprios limites é doloroso mas sempre dá-se um jeito. Afinal as soluções só surgem quando há problemas a serem superados. Não sei onde pode-se chegar com essa conversa mas a questão da superação volta em meia está aí. E falar sobre um defeito que se tem, quando inofensivo como o meu, é ao menos divertido e sempre rende uns minutinhos de conversa à toa. Se não consigo identificar o número lá no meio das bolinhas coloridas pelos menos posso ficar teimando que aquele verde pra mim é cinza.

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