LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de agosto de 2007
Adriana De Cunto<br>Editora 
Atrasos e cancelamentos de vôos são frequentes no Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, mesmo antes do famigerado ''apagão aéreo''. O vilão, nesses casos, é o mau tempo.
Quando reabre depois de um longo tempo fechado, o aeroporto vive momentos de muita confusão. Passageiros querem embarcar a qualquer custo e os funcionários das empresas aéreas tentam despachar o maior número de clientes possível.
Foi em uma situação assim que o empregado de uma companhia embarcou o último passageiro para um vôo recém-aberto. O sortudo era um conhecido deputado paranaense, que passou muito tempo insistindo junto ao estressado trabalhador por uma poltrona.
Só que dentro do avião, a confusão continuou. O deputado encontrou o lugar ocupado e o funcionário que o liberou foi chamado para a aeronave para tentar resolver a situação. Não adiantava argumentar com o político de que houve um erro e que ele não poderia viajar. ''Eu estou dentro do avião. É problema de vocês'', bradava o homem, elegantemente vestido em um terno preto, sapatos engraxados e gravata da moda.
Instalado na disputada poltrona da última fila estava um humilde senhor, de sapato velho, mãos calejadas, jeito tímido. O funcionário do embarque voltou-se para a frente do avião. Pensava numa saída. Talvez pedir para o comandante deixar o homem sentar na cabine? Foi quando percebeu um lugar vago na elegante classe executiva, onde a poltrona de couro é mais espaçosa e reclina em um ângulo um pouco maior.
Voltou então e pediu para que o simples passageiro o acompanhasse. O homem levantou desconfiado, um pouco assustado e para surpresa de todos acabou instalado entre os VIPs. Antes de descer do avião, o funcionário da companhia cochichou para a aeromoça pedindo tratamento especial para o senhor humilde.
As pessoas que acompanharam a situação aprovaram a solução com manifestações ruidosas. Era uma das poucas vezes que eles presenciavam o ''povo'' se dando melhor do que o político.


