Mesmo antes de aprender a dirigir, sempre me chamou a atenção um fenômeno que acontece em ruas movimentadas e extensas: a sequência de sinais abertos. Muito mais tarde fui descobrir que o fenômeno não era obra do acaso, da coincidência, ou das minhas magias intermináveis (duas piscadelas, o sinal vai abrir. Agora! Pronto!), mas sim um plano tecnológico chamado ''onda verde''. Trata-se de um sincronismo de sinais, que por meio de um sistema de velocidade de tráfego computadorizado, permite que os carros ultrapassem em diversos cruzamentos de uma via sem parar. Acontece que a medida que os motoristas se aproximam, os semáforos, que são interligados por cabeamento, vão se abrindo conforme o tempo programado. Perfeito!
O resultado é um fluxo contínuo. Uma liberação do tráfego que confere ao motorista muito mais do que economia de tempo. Tem-se aqui um efeito psicológico surpreendente. A medida que os sinais se abrem, um a um, o motorista tem a sensação de que sua vida pode fluir melhor, sem solavancos e atrasos. Uma onda verde a caminho do trabalho, numa segunda-feira pela manhã, é capaz de fazer milagres. O condutor acredita que os sinais do destino estão abertos para ele. Um trajeto que poderia ser feito em meia hora por causa dos intermináveis sinaleiros, é percorrido em cinco minutos. Graças à ''onda verde''.
Ele começa a imaginar que essa maravilha tecnológica do urbanismo pode ser aplicada em sua vida pessoal. Mas qual será o programa mais adequado para instalar esse mecanismo no destino? Uma imposição mecânica e tudo melhora, sua vida sentimental vai às mil maravilhas, a profissional acelera e o sinal está verde para novos desafios. Onda verde. Enquanto não descubro o mecanismo, e o sistema não funciona por todas as ruas e destinos que passo, lanço mão de outra solução: duas piscadelas e o sinal vai abrir. Agora! Pronto!

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