LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de agosto de 2007
Luiza Xavier<br>Equipe da Folha 
A situação é corriqueira. Liga-se a TV para assistir ao noticiário e lá está ele, empertigado, com tudo na ponta da língua. Abre-se o jornal diário ou a revista semanal e não dá outra: ele está lá, em fotos produzidas, sentado em seu escritório ou gabinete, recheando as reportagens com declarações enfáticas. Embora a presença dele seja frequente (e necessária, sem dúvida) nos veículos cuja missão maior é informar, alguns sobressaem ainda mais quando ocorre um fato grave ou incomum. Algo que exija a explicação, a análise, o comentário definitivo. Nesse momento, ele pode entrar em cena por vezes seguidas. Afinal, ele é o especialista.
Se o principal compromisso de quem leva informação à sociedade é a busca pela verdade e precisão dos fatos, nada mais natural do que procurar profissionais experientes que, por meio de um comentário embasado, um testemunho relevante, uma opinião bem fundamentada, possam contribuir com a melhoria da comunicação. Bem, essa é apenas a minha nada especializada visão sobre o tema. Por que, sinceramente, não é o que tenho lido, ouvido, assistido por aí.
Durante a repercussão do ''maior acidente aéreo da história do país'', pode ter faltado de tudo, menos ausência de especialista. Enquanto em entrevista a uma emissora de rádio, um ex-profissional do setor dava garantias a respeito do que teria causado a tragédia, um jovem engenheiro afirmava algo totalmente diferente durante a entrevista na TV. E não era um debate. Só para exemplificar com um fato mais recente. Porque, de fato, eles estão por todo lugar, disseminando certezas, despertando novas dúvidas.
Opiniões diferentes, ora bolas. Só isso mesmo? Não seriam opiniões em demasia? Para não dizer ''achismos''. Exageros à parte, parece que, de uma hora para outra, o fato de exercer essa ou aquela função, ter estado neste ou naquele lugar, frequentar este ou aquele clube já credencia a pessoa a sair por aí assinando atestados. Estaríamos experimentando mais uma síndrome, a do ''sabe-tudo''?
Se considerarmos que há no Brasil 8.866 cursos de pós-graduação lato sensu (especialização) em funcionamento, segundo o Ministério da Educação, a resposta é óbvia. Ser especialista parece ser um bom negócio. Ainda que a busca pela verdade definitiva dos fatos fique comprometida. Mas, afinal, talvez a verdade nem exista.


