LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 31 de julho de 2007
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Fiquei mais de um mês parado devido a uma fratura na mão e, quando isso acontece, sempre vale aquelas frases de efeito em que a gente dá mais valor para as coisas que perdemos. E o que exatamente perdi nesse tempo todo?
Bem, em primeiro lugar, o mais irritante de tudo, a capacidade de limpar os dentes com fio dental. Se não consegue visualizar a cena, imagine o seguinte: você acaba de comer a feijoada e fica aquele pedacinho singelo de porco ali na ''zaga'', entre o ''Cafu e o Roque Junior''. Você não vai conseguir ficar quieto até tirar aquele naco, que não sai nem com infinitas escovadas ou o clássico palito de dente caminhoneiro. Daí, com a mão inutilizada, vale tudo, desde amarrar uma das extremidades em algum móvel ou na própria mão até montar alguma máquina só pra isso.
Em seguida, higiene pessoal. Convenhamos que ir ao banheiro somente com a mão esquerda - nesse caso sou destro - não é ideal. Especialmente na hora de tomar banho. Tudo bem, uma ou outra área do braço esquerdo sem sabonete por alguns dias, assim como certas partes das costas, não vão matar ninguém.
Alimento, só ''finger food'', ou seja, bobagens que possam ser comidas com a mão. Se você tiver sorte, pode ter o gesso na mão em forma de copo ou controle de Playstation, portanto, beber ou jogar videogame não será assim grande empecilho.
No balanço, li muito, passei bastante vontade de escrever, limpei pouco os dentes com fio dental, não lavei direito meu braço e minhas costas e comi bastante comida rápida e barata. Hmm... Será que perdi tanto assim?


