LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de julho de 2007
Adriana De Cunto<br> Editora 
Encontrei Rosa outro dia e ela me confidenciou acreditar que vai viver 100 anos. Creio que vamos mesmo festejar o centenário da minha amiga, que nesta semana completou 91 anos e teve praticamente duas festas. No domingo, um almoço com a família. Na segunda-feira, dia do aniversário, a casa dela foi palco de um entra-e-sai de amigas durante toda a tarde.
Mais do que impressão que viverá um século, Rosa quer viver 100 anos e melhor, tem disposição para isso. Foi mais uma confidência que ela me fez, contente com as muitas amigas que estiveram na casa dela na última segunda-feira.
Também acredito que Rosa vai passar dos 100 anos. Ela tem alegria de viver, tônico importante para atingir a longevidade. Mesmo quando resmunga que está cansada, com dores, impaciente, Rosa tem sempre um brilho diferente no olhar, dizendo que amanhã estará novamente bem para fazer sua caminhada, comer um delicioso prato árabe e quem sabe até beber uma taça de vinho.
Ela é imprevisível e capaz de fazer coisas que muitas ''mocinhas de 60'' não têm disposição. Poucos meses atrás, Rosa viajou de avião com a filha para visitar o neto na Bahia. Não, ela não ficou em um incrível hotel de Salvador. Passou cerca de 10 dias em um desses lugarejos recém-descobertos pelos turistas, cheio de charme, mas com pouco conforto.
A minha amiga curtiu, foi à praia, caminhou pelas aldeias de pescadores. Quando voltou a Curitiba, ligou para a irmã Luiza (93 anos), que mora no Espírito Santo. Depois de contar suas aventuras pela Bahia, foi aconselhada pela irmã a aproveitar a vida. ''Depois que a gente fica velha, aí fica difícil viajar'', avisou. A caçula achou graça e respondeu: ''Luiza, nós já estamos velhas!''
Foi minha vez, então, de intervir: ''Velha? Nem parece!''


