LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de julho de 2007
Ellen Taborda<br>Equipe da Folha 
- ''Eu poderia estar explicando a nossa promoção para que a senhora possa estar aproveitando?''
Quem nunca foi vítima do telemarketing ao atender ingenuamente ao telefone? Geralmente, eu consigo driblar o assédio facilmente. Nada como ser direta e interromper qualquer tentativa de ataque. Vou logo dizendo: ''olhe, para você não perder o seu tempo e nem eu o meu, já aviso que não tenho interesse algum no cartão, na revista, no provedor de internet, no que quer que seja!''. Normalmente é o que basta para que o operador de telemarketing desista e encerre educadamente a ligação.
Infelizmente não foi o que ocorreu há poucos dias. Atendo à ligação e logo sou torpedeada. ''Por favor, o senhor Sebastião?''. Explico que, embora o telefone esteja em nome do meu pai sou eu quem utiliza a linha para a internet. O rapaz começa a falar, tentando me empurrar um provedor de internet, e nem me deixa interrompê-lo. Na primeira respiração dele, uso a técnica de avisar logo que não tenho interesse. Para meu espanto, o rapaz quase berra ao telefone: ''mas nem vai ouvir a promoção?''. Digo que não, que não vou mudar de idéia. Ele repete a frase ainda mais surtado e me ameaça dizendo que ligará novamente dentro de meia hora e desliga o telefone na minha cara.
Passaram-se bem mais do que 30 minutos, mas o telefone voltou a tocar ainda no mesmo dia. Atendo. ''Eu gostaria de falar com o senhor Sebastião'', desta vez fala uma voz feminina. Pergunto quem é: ''Andréa''. Assim, simplesmente. ''Andréa de onde?'', volto a perguntar. Contrariada, ela responde o nome da empresa. Quando pergunto do que se trata, ouço a ''educada'' falar enquanto está em vias de desligar o telefone na minha cara: ''mas essa mulher é mesmo uma ...''. Não ouço o final, mas posso imaginar do que se trata.
Qual não foi a minha surpresa ao receber, no final daquele mesmo dia, um novo telefonema pedindo para falar com o meu pai. Desta vez era a Fabiana. Quando questiono, ela indica o nome da empresa. Explico então a ela que mesmo que eu quisesse ter os serviços da provedora eu nunca iria adquirí-los através da empresa dela e que, por favor, riscasse o meu telefone da lista deles.
Na próxima ligação, já vou deixar avisado: ''vou estar ficando bem irritada e vou estar desligando o telefone na sua cara!''.


