LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de julho de 2007
Adriana De Cunto<br> Editora da Folha 
Minha filha mais velha, hoje com 11 anos, viaja de avião desacompanhada dos pais desde que tinha sete anos. Sempre para passar férias na casa dos avós, em Londrina. Ela nunca demonstrou medo dessa aventura. Pelo contrário, adora contar com detalhes as histórias das viagens. Para mim, era uma comodidade. Entregava a menina nas mãos de um comissário de bordo e este, por sua vez, a levava até o saguão do aeroporto de Londrina, para o encontro da avó. Lógico que, como toda a mãe, rezava na hora da aeronave decolar e aguardava ansiosamente o telefone tocar, cerca de uma hora depois, avisando a chegada da menina em segurança.
Assim como eu, muitas mães faziam a mesma coisa. Lembro de uma dessas viagens, quando o funcionário da companhia aérea convocou todos os menores de idade a se apresentarem para o embarque. Uma galera se juntou, cerca de uma dezena de meninos e meninas com idades que variavam de 5 a 15 anos. Era férias, como agora. Minha filha está novamente na casa dos avós. Vou buscá-la no sábado, de carro.
Desde terça-feira, quando aconteceu o terrível acidente com o airbus da Tam, em São Paulo, meus amigos me perguntam se ainda tenho coragem de mandar a menina viajar de avião sozinha. A reposta é não. Não coloco mais uma criança sozinha em um avião, no Brasil. Não é por causa do acidente em Congonhas, mas pela crise aérea que se estabeleceu por completo nos aeroportos do País. Ninguém sabe a que horas o vôo sai, que horas ele chega ou se a aeronave vai mesmo para o local de destino. Tenho medo que, em uma próxima viagem, a garota tenha muito mais detalhes para acrescentar às suas histórias infantis.


