LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de julho de 2007
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Anteontem, exatamente na mesma hora em que o avião da TAM se chocou contra o prédio da companhia, em Congonhas, matando mais de uma centenas de pessoas, um outro acidente envolvendo um brasileiro mudaria o curso de vida de algumas pessoas. Um rapaz de pouco mais de 30 anos decidiu se jogar de um prédio, na Espanha. Era brasileiro, imigrante ilegal. Foi pra Espanha, assim como milhares de imigrantes, para tentar uma vida melhor. Tinha Faculdade de Educação Física, mas lá pintava paredes e pisos e fazia outro bicos. Morava em Maringá antes de ir para o exterior. Lá conheceu uma garota, também brasileira, e teve um filho. O garotinho tinha apenas cinco anos e não sei se já contaram para o menino o que aconteceu.
Antes de tomar a decisão, por um motivo que a família desconhece, o rapaz visitou o perfil de alguns primos no Orkut. Deixou o nome registrado apenas, mas nenhum recado ou bilhete que explicasse o que estaria por fazer. De uma família grande, de origem nordestina, mas radicada no interior do Paraná, Jason Bergamasco era muito ligado aos primos, vários da mesma idade. Alguns deles também estavam na Espanha, tentando igualmente uma vida melhor. Estão todos chocados. A mãe dele não consegue falar. O quer de volta.
De volta ao Brasil, o presidente decretou luto oficial por mais um acidente aéreo. As famílias dos tripulantes e passageiros do vôo da Tam não conseguem entender o que houve. O avião já estava em terra. Na Espanha, Jason subiu o terraço do prédio em que morava com a mãe e voou. ''Viu uma lua no céu, viu uma lua no mar.'' Jason era meu primo.


