É impressionante o que tem de artista por aí. Não se pode andar duas quadras no centro de Curitiba sem esbarrar em alguém tocando violão, gaita, vendendo livro de poesias, ou então entretendo a multidão com alguma atração performática. Nossos sinaleiros são disputados por malabaristas, pirofagistas e outros circenses que se multiplicam como gafanhotos em busca de uma moedinha. Todos querem viver da sua ''arte'', mesmo que ela não valha um vintém.
Não sou professor de estética, nem tenho qualquer relação íntima com a arte, para falar a verdade, até anteontem achava que Bosch era só marca de furadeira e Debussy algum sorvete da Kibon. Mas já que todo mundo pode ser artista, porque eu não posso ser crítico, ora pois.
Comparo o volume da oferta artística, às lojas de R$ 1,99. Assim como na arte, temos na indústria alguns produtos que têm qualidade e durabilidade inquestionável, porém custam caro. Por outro lado, temos também outros produtos que são quase descartáveis e custam uma pechincha. Nada contra, muito pelo contrário, acho até que em um mundo onde a hegemonia da indústria cultural é cada vez mais pulverizada (há 50 anos havia 2 canais de TV, hoje existem centenas), faz sentido que o mesmo aconteça com a produção artística.
Um bom comparativo foi uma oferta que recebeu uma amiga em um bar de Curitiba. Primeiramente um poeta veio lhe oferecer o livrinho feito em casa. O preço: R$ 5,00. A rapariga não aceitou, afinal com esse valor compra-se duas cervejas. Logo depois apareceu um rapaz com uma placa: ''Conto piada por 50 centavos''. A turma da mesa comprou duas e não se arrependeu. Um entretenimento rápido, descartável e barato, assim como as lojas de R$ 1,99.

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