LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 25 de junho de 2007
Denise Ribeiro<br>Equipe da Folha 
Abatido, o pai da empregada doméstica Sirlei Dias Carvalho Pinto, espancada e roubada por cinco jovens de classe alta no Rio de Janeiro, resumiu anteontem em entrevista às emissoras de televisão o que se passa não só na capital carioca mas em toda parte. ''Os pais hoje estão dando aos filhos muita mordomia e não se preocupam com o que eles estão fazendo para fora da porta de casa.''
O crime acontece dois meses depois de completados 10 anos da morte do índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, incendiado enquanto dormia em uma parada de ônibus em Brasília por cinco jovens brasilienses de classe média alta. Nesse caso, o menor de idade não chegou a ser preso e os demais conseguiram abreviar a pena com o trabalho. O benefício é raramente concedido nesses casos. Os jovens conseguiram, ainda, a permissão para estudar fora da prisão mesmo cumprindo pena em regime fechado. Desde o final de 2004 eles estão em liberdade condicional.
Dos cinco jovens que espancaram Sirlei, três foram identificados e dois foram dados como foragidos. Caso os acusados sejam indiciados vão responder por tentativa de latrocínio, sujeitos a uma pena de sete a 15 anos de prisão, e lesão corporal dolosa, que prevê pena de um a oito anos de prisão. A exemplo do desdobramento do caso de Galdino dos Santos fica difícil acreditar que os acusados do crime cometido neste final de semana no Rio de Janeiro tenham um final muito diferente do que tiveram os privilegiados rapazes de Brasília.
E já que da Justiça não se pode esperar muitas mudanças nem mesmo a longo prazo, resta ao pai de Sirlei, e a todos nós, torcer para que em casa a relação entre pais e filhos não continue a mesma pelos próximos 10 anos.


