Supermercado. Para o dicionário, ''loja de auto-serviço onde em ampla área se expõe à venda grande variedade de mercadorias''. Para mim, loja de preços caros onde em ampla área se encontram gente sem educação e situações irritantes.
A saga começa no estacionamento, quando você, para encontrar uma vaga, roda mais quilômetros do que os que separam o local da sua casa. E quando acha ela está ocupada por um carrinho do mercado, que algum ''educado'' largou lá. Desce, tira o carrinho, estaciona, sobe.
Os carrinhos que sobram atrapalhando motoristas no estacionamento desaparecem da entrada do estabelecimento. Toca pegar a cestinha. Você precisa comprar algumas frutas. No caminho passa ao lado do moço da balança e ele está desocupado, contando as horas para ir embora. Você também. Então vai logo e escolhe, escolhe, escolhe. O dia que você vai não tem uma fruta que preste. Com muita luta você pega tudo o que precisa. A cestinha quase quebrando seu braço. Volta para a balança. Surpresa! Tem sete pessoas na fila. De onde elas sairam? Não sei. E elas resolveram pesar todas as frutas, legumes, verduras e sei-lá-mais-o-quê do mercado. Haja paciência.
Confere a lista de compras. Tem que levar carne. Vamos para a seção, que estava às moscas. Ah, meu Deus. Agora tem! Devem ser as mesmas sete pessoas da fila da balança. E elas querem levar carne para o ano todo. ''Moço, tem isso?''. ''Moço, tem aquilo?'' ''Moço, mói pra mim?''. ''Moço, bem limpinha''. ''Moço, não era isso''. Chega a sua vez. Pega a carne. Não tem mais ninguém atrás de você. Sim, é sempre assim. São duzentas pessoas na sua frente e nenhuma atrás.
''Atenção senhores clientes, dentro de 10 minutos estaremos encerrando nossas atividades''. Pega isso, pega aquilo. Corredores vazios. Corre pro caixa. Surpresa! Sim, eles estão lá. Os sete clientes, no único caixa aberto. Carrinhos abarrotados, é a compra do mês. Não, do ano. Talvez da década. Parece véspera de guerra. Mas o jeito é relaxar. Afinal, daqui a pouco, eles estarão com seus sete carros congestionados, no portão do estacionamento. Me esperando, claro.

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