Uma vizinha chegou à minha casa esbaforida, agitando nervosa um envelope azul. Era um convite para a festa de 20 anos de formatura. O encontro aconteceria em um mês. ''Não vá'', respondi quando ela me pediu um conselho.
Depois que saiu da faculdade essa amiga não encontrou mais nenhum colega, tirando uma ou duas pessoas. Contei a ela que eu já havia ido em uma dessas festas e o resultado pode ser traumático. Você se lembra de todo mundo na ''flor da idade'' e aí os reencontra bem mais velhos, algumas bem gordinhas, outros carecas. Daí você descobre que também está mais velha, apesar de, no íntimo, achar que nada mudou.
Tentei argumentar que para participar de uma festa assim, é preciso estar em um momento ''bem com a vida'' - decididamente não é o caso dela, que atravessa uma crise pessoal.
A mulher foi embora pensativa. Voltou dois dias depois, decidida: ''Eu vou''. Passou as próximas três semanas se preparando. Fez um regime drástico e uma hora de caminhada por dia. Passou por uma limpeza de pele, massagens e chegou ao extremo: aplicação de botox.
O dia do encontro, um sábado, finalmente chegou. Dei meu apoio. Sabia que iria precisar. No domingo, a mulher voltou à minha casa tristonha. Disse que gostou de rever os amigos, mas uma coisa a aborreceu muito: os incontáveis comentários do tipo ''nossa, como você mudou!''

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