A coisa pega você de surpresa. É segunda-feira, meio da tarde, está chovendo e você lembra que esqueceu as janelas da casa abertas, a pilha de papéis em cima da sua mesa está mais alta que a tela do computador e você acabou de voltar do banco e ver o saldo quando... o telefone toca.
- Alô? Aqui é do banco tal e o seu cartão foi clonado. Foi uma tentativa de invasão à sua conta... (primeiro pensamento que me vem à cabeça: EU invadi minha conta no domingo e torrei tudo no salão e na confeitaria).
Disfarço bem: - Moça, foi tentativa ou sucesso na invasão da minha conta?
- Veja bem, sucesso, mas o valor será ressarcido, vá à sua agência, tal, tal, tal...
Desligo o telefone, meio atordoada. Remexo a pilha de papéis e olho o calendário. Dia 5. O que significa que os débitos automáticos (maldita invenção da sociedade capitalista!) começam a cair nos próximos cinco dias...
Em vista da magnitude do problema, decido me concentrar no que é mais importante e urgente: gasto os últimos trocados que estão na bolsa para comprar um chocolatinho e me acalmar. Só na manhã seguinte vou ao banco. Depois de uma burocracia terrível e de algumas horas de espera, saio da agência aliviada. Em termos, porque a gerente já foi desfiando um rosário de que clonaram o cartão dela, o celular...
Bem, o dinheiro voltou para a minha conta. Mas o sossego eu perdi... Com licença, preciso atender o telefone. Podem ter clonado meu celular.

mockup