João Felipe acordou com o toque do celular. Pelo barulhinho, foi um daqueles alertas de torpedo e não de ligação. Por isso mesmo, cerrou os olhos mais uma vez antes de tomar coragem para sair das cobertas no frio danado que tem feito nesses últimos dias.
Ao ler a mensagem, uma surpresa. ''Fe, te encontro mais tarde, beijos''. ''Como?'', pensou. Ele releu o torpedo. ''De: Ester 8h32 28/05/07''. Mesmo dia e horário. Só que o recado demorou para entrar em sua cabeça, já que João Felipe não tinha mais namorada desde a quinta-feira passada, quando levou um autêntico ''pé na bunda'' no meio da pista de dança.
O primeiro pensamento foi o de retornar a ligação. ''Hmmm. Mas ela mandou torpedo... Será que mando outro?'', cogitou. No entanto, imagens do final de semana povoaram sua cabeça e o impediram de reagir imediatamente. Principalmente aquela cena mental em que ele, bêbado, lamentava (ou até comemorava) o final do relacionamento com um belo amasso em uma beijoqueira casual qualquer. ''Puxa vida, e agora?'', um misto de dúvida com ressaca moral, fragmentos de arrependimento e uma vontade mínima de apenas ignorar a mensagem.
Depois de um certo receio, tomou coragem e começou a teclar uma resposta. Foi quando recebeu outro torpedo: ''Desculpe por ontem, mas acho que a gente não dava certo mesmo... De: Ester 8h55 28/05/07''. João Felipe pensou mais uma vez. Aceitou. Voltou para debaixo das cobertas e reclamou: ''Maldita operadora de celular!''. E dormiu novamente.

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