LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de maio de 2007
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Poucas coisas têm me deixado mais desesperada ultimamente do que ficar sem a bateria do celular. Os incontáveis bips que anunciam a morte do aparelho me deixam assustadoramente nervosa. Uma histeria que aumenta à medida da insistência dos toques que prevêm o desligamento do telefone. Me disseram outro dia que a maior urgência dos tempos modernos é o celular. Me encaixo nessa categoria. Ainda não tenho dois aparelhos, mas já estou pensando nessa hipótese. Não sei como vivia antes.
Levo o celular para o banho. Não desligo durante a noite. E mesmo tendo uma bolsa farta com espaço para muitos badulaques, não cedo a tentação de levar o aparelho na mão, com medo de não escutar o toque. Admiro as pessoas que ainda não cederam ao telefone móvel. De qualquer forma, não conheço nenhuma delas. Quando ligo para o telefone fixo de alguém, vou logo dizendo: qual o celular de fulano? Sem ao menos perguntar se a pessoa tem celular. Hipótese descartada.
Aliás, não fosse o custo, já teria banido também o telefone fixo, pois não suporto a idéia que outra pessoa, que não meu interlocutor escolhido, atenda. Ao contrário do que muitos pensam, celular não tira a privacidade. Aumenta. Pois dá (quase) a certeza de quem vai atender é o dono do aparelho. Alguém deve estar tentando me ligar agora, por exemplo, mas estou sem bateria. A minha acabou à medida que os toques do aparelho foram reduzindo, numa simbiose tecnológica. Em que tomada devo recarregá-la?


