LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de maio de 2007
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Outro dia ouvi, num momento daqueles em que a conversa alheia acaba sobressaindo na multidão, uma idéia ótima de um taxista da cidade contada por uma passageira dele. Dizia a garota que o tal taxista carrega consigo um apito. E cada vez que um motoqueiro comete uma infração de trânsito na sua frente o taxista aciona o apito, para depois divertir-se com a cena do infrator procurando pelo guarda de trânsito autor da advertência.
Confesso que me deu vontade de comprar um apito e fazer o mesmo. Naquele dia em que ouvi a tal história, um motoqueiro havia cruzado a minha frente após furar o sinal vermelho. Todos os dias ouço histórias e queixas de pessoas que presenciaram alguma imprudência cometida sobre duas rodas. A idéia do taxista, que muito provavelmente cansou de ver motoqueiros fazendo besteira no seu caminho, é boa porque não é agressiva.
Fico imaginando como seria se a cada vez que alguém fizesse uma coisa errada, não só no trânsito, ouvisse o som de um estridente apito. Furou o sinal, priii. Parou em cima da faixa de pedestres, priii. Atravessou a rua correndo fora da faixa em via muito movimentada, priii. Jogou lixo no chão, priii. Deixou o cocô do cachorro de estimação no meio da calçada, priii. Atendeu o celular durante a sessão de cinema, priii. Mentiu para a namorada, priii. Surrupiou a moedinha de um centavo do troco, priiiiii!
Fazer coisa errada todo mundo faz ou já fez, mas assim talvez elas não fossem mais vistas com tanta normalidade. Ou não incomodariam apenas quem é afetado por elas, o causador teria uma pena imediata. Pelo menos até alguém descobrir como driblar isso também.


