LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de abril de 2007
Adriana De Cunto<br> Equipe da Folha 
Mãe tem pavor de perceber que o número de telefone que o identificador de chamadas do celular aponta é o da escola do filho. Se isso acontece no meio do dia, quando a pobre mulher está trabalhando, é horrível. E se o trabalho executado é algo inadiável, a situação fica terrível. Sinto ciúmes das mulheres que têm mães e irmãs morando perto e podem socorrer o neto ou sobrinho ao primeiro toque de telefone.
Faço esse alerta aos pais porque a época de corre-corre aos pediatras está chegando em Curitiba, com a proximidade do inverno. Não adianta a gente oferecer, desde já, para as crianças, doses de vitamina C, homeopatia, florais, etc. Pode ajudar, mas quando o frio chega em Curitiba, as viroses aparecem sem dar o menor sinal.
Não quero ser pessimista. É só a lembrança de como foi no ano passado:
- Alô, dona Adriana, aqui é da escola da Júlia. Ela está se queixando de dor-de-cabeça.
- Alô, dona Adriana, a Maria Eduarda está com febre.
Tem também aqueles telefonemas que não têm nada a ver com o clima de Curitiba, mas são igualmente desesperadores:
- Alô, dona Adriana, aqui é da escola da Júlia. Infelizmente, ela quebrou o dente quando pulou na piscina...
Para o inverno deste ano, estou me preparando. Inicialmente, pensei em deixar uma mensagem de celular direcionada para as escolas das minhas filhas. Poderia ser assim:
- Professora, obrigada por ligar. No momento não posso atender. Mas se o caso for febre, dê tantas gotas de paracetamol. Se for gripe, tantos ''ml'' de xarope.
Tudo bem! Não precisa chamar o Conselho Tutelar do meu bairro. Eu não deixarei tal mensagem. Como toda mãe preocupada, vou atender prontamente a escola das crianças. Mas vou torcer este ano para que os telefonemas sejam só convites para festinhas e entrega de boletins.


