LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de abril de 2007
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
As mulheres que se cuidem. Todas têm um pouco de chapeuzinho vermelho. São frágeis, sorridentes, alegres, espertas... mas podem ser vítimas do lobo mau...
... e os lobos vivem à solta. Eles estão em todas as partes. Normalmente são divertidos. Simpáticos. Iludem. Mas têm apenas um objetivo. Este mesmo: saborear a carne da solícita chapeuzinho.
Depois de ser vítima das garras do lobo, a menina nunca mais é a mesma. Chora. Sapateia. Às vezes grita de terror quando se vê num quarto escuro. Nomina todos os outros animais que a rodeiam de ''lobo mau''. Generaliza. Deixa de ser racional.
A pobre nem ao menos consegue passear livremente. Gostaria de cantar como os porquinhos dos livros infantis:
- Quem tem medo do lobo mau, lobo mau, lobo mau... quem tem medo do lobo mau... lá, lá, lá, lá, lá...
Antes de ser cruelmente devorada, ela é só sorrisos. Não teme. Não observa o risco que corre perto do lobo mau. Se sente amortecida. Não hesita. É como se estivesse apaixonada pelo poder que ele exerce. Pelos dentes grandes. Pelo ar imponente. Pela voz rude. Pelos gestos eloquentes.
á- Pela estrada a fora eu vou bem sozinha... - insiste em cantar.
... e vai mesmo sozinha. Pelo restante da estrada da vida. Depois de ter sido dominada pela fúria maldita do lobo mau...
Ai, que saudades do lobo mau!!!!


