LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de março de 2007
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Os lugares públicos me incomodam. Não sei se posso me considerar uma pessoa anti-social, mas realmente não gosto de locais em que eu conheça muita gente. Por exemplo, um barzinho frequentado por jornalistas.
Parece que minha liberdade é vigiada por colegas que brincam e sorriem o tempo todo. Mas têm no íntimo o desejo profano de analisar todos os seus atos. Não que eu nunca tenha ido, por exemplo, num churrasco do sindicato. Já fui. E até me diverti muito.
Mas prefiro mesmo os locais onde sou mais uma desconhecida. Onde posso me misturar com a multidão sem ser vista. Sem ser olhada. Sem ser analisada. Aliás, não gosto de divãs.
Meu comportamento tímido já me deu o apelido de ''óleo na água''. Mas não me sinto assim. Gosto de dançar, de cantar, de jogar futebol, de ir a um estádio, de acompanhar um belo show musical ou uma peça teatral.
Mas não me venham convidar para um local onde tenha que ser artificial. Onde meu sorriso seja programado. Minhas ações, cronometradas. Minhas palavras, medidas. Minhas vestes, escolhidas a dedo.
Gosto de ser assim: natural.


