LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de março de 2007
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Sempre tentei entender os homens. Não conheço um que não perca pelo menos dez minutos do seu dia para se dedicar a críticas duras contra sua mulher. É como se ela fosse sempre diferente das demais. Pior em tudo. Normalmente, a mulher criticada é ciumenta, não dá muita atenção, reclama de tudo, não deixa ele sair com os amigos (dialeticamente, as críticas normalmente ocorrem nas saídas), fala muito e ouve pouco, grita. Tem até aquelas que, segundo o autor dos desvarios, quebra a casa inteira quando percebe que o cheiro da roupa que ele usava na noite passada era de perfume feminino...
Certamente o autor das críticas diárias é um exemplo de marido. Não chega tarde em casa. Ajuda em todas as atividades domésticas (afinal, os dois trabalham o dia inteiro para levar comida para casa e pagar as contas - que não são poucas). Leva flores de vez em quando. Faz surpresas agradáveis. Leva a mulher para passear (ao menos nos finais de semana). Não é alcoólatra. Nem é chegado em outros vícios (como mulherada, por exemplo). Em resumo, é um homem dedicado, companheiro, fiel, carinhoso, amigo.
Quando começo a ouvir um marido criticando a esposa, sei exatamente que ela (a mulher) é uma vítima. Sim. O marido, quando não é exemplar, busca todas as falhas da mulher e a coloca como adversária. Mas por que ele não se separa? A resposta é sempre a mesma: por causa dos filhos. Basta essa mesma mulher, trabalhadora, resolver dar um basta para que ele corra se desculpar, dizer o quanto a ama, o quanto será diferente da próxima vez...
Acho que são essas as ''Amélias'' da atualidade. Elas suportam tudo. Muitas vezes até a infidelidade alheia. Perdoam e se acomodam como se não fossem capazes de lutar por si próprias. E de errar de novo, se fosse preciso...
Não quero ser uma Amélia (nem a antiga, nem a da atualidade). ... elas sofrem caladas...


