Tenho costume de falar sozinha. Para muitos, o gesto pode parecer insano. Para mim, é normal. Faz parte do meu cotidiano. Do meu dia-a-dia. Do meu estilo de ser...
Mas confesso que já passei por situações constrangedoras por conta deste vício. Certa vez percebi que alguém me olhava de dentro de um outro carro. O rapaz, sorridente, tentava descobrir ao certo o que fazia.
- Será que a moça fala sozinha? - com certeza, se questionava.
No carro, nenhum som. Nada de música. Estava mesmo falando sozinha...
Na minha adolescência, lembro-me bem do dia que voltava sozinha da Igreja, na escuridão, no meio de trilhas abertas entre florestas no bairro do Bigorrilho. Resolvi afastar a solidão e o medo, conversando. Meu alvo era falar com Deus. Mas não fui entendida assim. Ouvi ao longe meu irmão, cercado por amigos, exclamar envergonhado:
- Ah, não! Falando sozinha!...
A mais recente advertência verbal recebi dia desses, no trabalho. Dois colegas discutiam sobre o ato de conversar sozinho. E um deles lembrou que por várias vezes pensou que eu - ao conversar com o meu computador - estava tentando me comunicar com os demais colegas de redação...
E falo mesmo. Falo com tudo. Tenho costume de entoar canções de ninar para animais. Penso alto...
Todos temos um pouco de loucura dentro de nós!...
Ademais, até os monólogos são apreciados pela cultura nacional...
... gosto de fazer monólogos...

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