Li recentemente a notícia de uma jovem que ficou presa dentro de um caixa eletrônico da Caixa Econômica Federal. Não teve sorte. Exatamente na hora em que ela terminou de retirar alguns poucos reais, virou-se e tentou abrir a porta. Meia-noite em ponto. As portas se trancaram. Ela ficou desesperada. Teve que chamar ajuda para sair
do local...
  Também já fui vítima desse tipo de cadeia comercial. Num belo sábado de Carnaval, ao sair do meu trabalho, resolvi fazer um longo passeio a pé. Estava sozinha e sou dada a pensar na vida. Não reparo muito nos lugares. Nem nas pessoas. Mas esse dia estava especialmente distraída...
  Como a caminhada era longa, decidi fazer uma parada providencial. Um pequeno shopping (na verdade, um centro comercial) estava aberto e resolvi entrar. Não para ver as lojas, como fazem tradicionalmente as mulheres. Resolvi ir rapidamente ao banheiro para seguir viagem. Iria caminhar do Alto da XV até o Centro de Curitiba – onde pegaria um ônibus para ir para a minha casa (que fica na Vila
São Jorge).
  Mas como? As portas do shopping estavam fechadas. Eram mais de 13 horas. Entrei em desespero. Procurei alguém que pudesse estar no local. Não encontrei. Se fosse hoje, pegaria meu telefone celular. Mas isso não existia naquela época. Resolvi então me dirigir até o telefone público. Mas para quem ligaria? Quem abriria a porta do shopping? Não tive dúvidas. Decidi ligar para a Polícia Militar...
  Meu telefonema foi motivo de chacotas... os atendentes acharam que se tratava de um trote e começaram a zombar de tudo que eu dizia. Foi quando, num golpe de sorte, vi que alguém abria a porta do centro comercial. Era um guardião. É claro que ele se assustou ao me ver. Relatei o acontecido e segui minha longa caminhada. Não antes de ter que responder um imenso questionário. Como se eu tivesse me escondido ali dentro...
  Pode ser que a cadeia pública seja bem pior. Mas não gostei de enfrentar a prisão comercial!

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