Eu tive um amigo imaginário. Muito diferente dos demais. Já na minha infância tinha o estranho hábito de admirar feitos gigantescos, extraordinários, impossíveis ao olhar humano...
... foi dessa maneira que aos cinco anos (já lia desde muito pequena), resolvi ler um dos livros da biblioteca da minha avó, que era professora primária. O livro era grosso. De difícil leitura. Pelo menos, para uma criança naquela faixa etária.
Mas conseguiu me prender até a última página. Era sobre ''O Roubo do Século''. Nunca mais o li. Pode ser que perca alguns detalhes após mais de 30 anos... mas lembro-me que Sam (o personagem principal) conseguiu planejar um assalto a um banco que tinha proteção governamental. Todas as milícias do governo inglês cuidavam do local onde o dinheiro nacional e dos mais ilustres cidadãos ingleses era depositado...
Apesar de todos os cuidados, Sam conseguiu chegar lá. E nunca foi descoberto. Depois daquela leitura, todos os atos inexplicáveis ocorridos dentro de casa tinha um autor: era o Sam. O pote de água do gato sumia, o Sam escondeu. Um barulho estranho na casa era ouvido, o Sam entrou. Uma pessoa adoecia, o Sam envenenou...
Não sei porque, mas todas minhas priminhas tinham medo do Sam. Não tinha o intuito de assustar, mas de explicar o que me parecia difícil de entender...
Muitos ainda hoje, já adultos, têm amigos imaginários similares. Alguns enxergam disco-voadores. Outros experimentam viagens alucinantes a outros mundos, a vidas passadas. Têm outros que acreditam que podem fazer viagens fora do corpo, em espírito, antes de dormir. E os menos capazes, que preferem as viagens astrais acompanhadas de alucinógenos...
Nossos amigos imaginários, na verdade, são reflexos de nós mesmos. São parte da nossa tentativa insana de explicar a ação divina... de entender Deus...

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