LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007
Denise Ribeiro<br>Equipe da Folha 
Sempre se diz que uma obra de arte, seja ela uma música, uma escultura ou uma obra literária, é resultado de um breve momento de inspiração seguido de um longo período de árduo trabalho. O filósofo Jean-Jaques Rousseau conta em seus escritos que no instante em que teve a inspiração para o Discurso Sobre as Ciências e as Artes, texto premiado pela Academia de Dijon em 1750, percebeu um mundo de idéias, que teriam sido infinitamente mais ricas que as registradas posteriormente em sua obra.
Talvez se costumasse andar pela rua com papel, pena e tinta, a tiracolo, muitas dessas idéias hoje fossem conhecidas. Um escritor me disse certa vez que quando as idéias vêm é preciso anotá-las imediatamente, do jeito que estão, porque senão elas se perdem. E só depois lapidá-las com calma até que tomem uma forma clara. O importante é não deixá-las escapar.
Ao longo da história, quantos pensamentos não teriam deixado de tornar-se públicos por falta de registro ou disposição dos autores em ordená-los. É como aqueles momentos em que flagramos solitários uma cena que nunca mais será vista e pensamos: por que eu não tinha à mão uma câmera fotográfica?. Se eu fosse uma boa inventora, inventaria uma máquina de registrar pensamentos instantânea, como uma câmera fotográfica de idéias. Fica a sugestão para quem estiver disposto a trabalhar para torná-la realidade. O registro, pelo menos, já está feito.


