Não entendo aquelas pessoas que entram nos aviões e mesmo com lugares desocupados nas janelas, torcem o nariz e vão ler revista na poltrona do corredor. Eu, pelo contrário, sempre escolho a ‘‘janelinha’’ e não abro mão mesmo quando o vôo é assim, digamos, superdoméstico: Curitiba a Londrina.
  A viagem não dá nem uma hora e quase sempre há turbulências. Já teve dia que nem o refrigerante foi servido. O comandante justificou no final do vôo, que o mau tempo e o sacolejar do avião não permitiram o serviço de bordo. Mas quando a aeronave vai diminuindo a altitute perto da cidade, é uma mistura de ansiedade e sau-
dade.
  As diferentes tonalidades de verde das plantações cortadas pelo rio é uma beleza que só quem está na janela vê. As revistas folheadas rapidamente por mãos nervosas não trazem tais cores. Ao aproximar do Aeroporto Santos Dumont, quando ele sobrevôa bem baixo, paralelo à Avenida Santos Dumont, dá para ver o prédio onde morava antes de me mudar para Curitiba, há dois anos.
  Na volta, estou eu de novo na janela. A chegada a Curitiba tem uma outra beleza. Quando o piloto avisa pelo som que vai iniciar o ‘‘procedimento de descida’’, logo uma nuvem espessa surge abaixo. O avião passa três, quatro minutos atravessando uma muralha que parece feita de algodão. Sempre lembro aquela história que é contada por aqui de que o Aeroporto Afonso Pena foi construído naquele local de São José dos Pinhais justamente porque ficava bem escondido, graças ao nevoeiro. Segundo dizem, isso era interessante em tempos de guerra.
  Lendas à parte, quando finalmente o avião atravessa o muro de nuvem, a primeira coisa que a gente vê é o Parque Barigui, com o lago e a roda gigante. Se eu olhar para a direita rapidamente, até consigo avistar a minha vizinhança. É sempre bom voltar para casa.

mockup