Não existe nada mais belo, singelo, gracioso e inocente do que o sorriso terno de uma criança...
São elas que povoam o mundo com um pouco de graça, no meio de um inferno repleto de enxofre e podridão para todos os lados. Olho para a direita e enxergo o vazio de uma classe social burguesa derrotada. São engravatados e megaempresários que lutam pela manutenção do lucro fácil, da mão de obra escravizada, dos salários desumanos...
Viro-me para a esquerda e enxergo o discurso dos mesmos burgueses que se dizem socialistas. O socialismo não está mais na moda. Mas muitos descobriram que o discurso ainda agrada aos oprimidos. E os usa de forma contumaz, com palavras eloquentes, populistas. Os atos não se misturam com os discursos. E a sociedade caminha infeliz...
Olho novamente as crianças. Sinto paz. Lembro-me da minha infância e das músicas de outrora que já relatavam o sofrimento da sociedade atual. Ouvia. Cantava. Entoava os refrões. Mas não entendia o que a canção representava. ''mas eu não sabia dos problemas que a família tinha, morando apertada num barraco na beira da linha''; ''minha mãe me olhou e disse: como vamos sustentar? Meu pai respondeu para ela: a sorte do menino vai mudar''; ''mas quando será? quando será? O dia da minha sorte. Sei que antes da minha morte eu sei que esse dia chegará''.
Tento imaginar como criança que o dia da sorte popular, da mudança brasileira, da revolução nacional, de fato chegará. Luto. A esperança do compositor é de fato a mesma de milhões de brasileiros. Todos apostam, votam, acreditam que podem mudar o destino, o futuro...
Mas... quando será?

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