Para quem mora nos bairros mais próximos do centro de Curitiba, percorrer qualquer distância pelas imediações fica muito mais fácil a pé. Além de evitar a lentidão do trânsito motorizado e a disputa por uma vaga para estacionar, pode-se observar coisas que escapam a quem não está na calçada. Nem sempre essas coisas são muito agradáveis. Outro dia mesmo, tive o desprazer de flagrar um senhor já com respeitosos cabelos brancos fazendo xixi no pé de uma árvore em plena luz do dia na movimentada Rua Comendador Araújo. Quanta descompostura!
Percorrer o mesmo trajeto também tem suas curiosidades. A caminho do trabalho sei quando estou quase atrasada dependendo do ponto em que passo pela mesma moça diariamente. Ela parece sempre pontual. Outro indicador de horário é um morador de rua que dorme todos os dias embaixo da mesma marquise, inclusive nos dias de chuva. Quando passo bem cedo ele ainda nem abriu os olhos e está ali enrolado em seus trapos alheio a toda movimentação a sua volta. Essa é uma das coisas tristes de andar a pé, tomar consciência de que eu passo ao lado de alguém que como eu pisa aquela calçada todos os dias mas, diferente de mim, não tem uma cama onde se deitar.
Ainda assim, percorrer a cidade andando me parece bom. Pode ser pela sensação de liberdade em ir e vir, pela chance de parar e observar com calma algo que chama a atenção, ou por poder variar o caminho e encontrar algo curioso de repente. O fato é que uma boa caminhada pela cidade sempre estimula a reflexão, e depedendo do destino ou da hora chega-se até mais rápido.

mockup