Já notei que sempre sou chamada, seja em casa, seja no trabalho, para pegar animais silvestres (ou não) e soltá-los na natureza cada vez que um humano se sente ameaçado.
Talvez porque seja uma aficcionada pelos animais. Aliás, sempre fui. Desde pequena olho para os bichos com afeição. Quando menina, dei trabalho para minha mãe. Não eram raras as vezes que ela ficava enlouquecida com alguma arte que fazia por simplesmente ''amar demais''. Um dia, lotei o meu quarto de sapos que fui buscar num banhado no Parque Barigui.
Naquela época, o Parque Barigui não era tão frequentado. No Bigorrilho (ainda não chamavam de Champagnat), onde morava, existia muito mato. Prédios? Nem pensar. Os banhados eram normais. Os sapos também. Não preciso dizer que tive que remover um a um de volta para o local de origem.
Gostava de caçar girinos na Praça 29 de Março. Fazia isso toda a semana. Colocava-os num aquário e acompanhava todo o processo de metamorfose do anfíbio. Beleza rara! Criava algas. Todas tinham nomes. Elas reproduziam-se numa velocidade absoluta. Depois, vendia o produto da criação para meu irmão mais velho. Algas fazem bem para a pele. Ele, em plena adolescência, queria se livrar das espinhas!...
Mas não era só isso. As criações foram se diversificando. De lagartos (bichos cabeludos) a tatu-bolinha. De formigas (e fazia formigueiros em aquários para acompanhar os magníficos túneis feitos por elas) a roedores. Mas a criação que todos mais detestavam era a de aranhas. Criava as de teia e as sem teia. E as alimentava. Caçava moscas (coisa de criança, relevem), tirava as asas e dava para as ''amigas aranhas''.
Certo dia, a diarista derrubou um dos meus aquários com aranhas. Uma tarântula fugiu. Não preciso dizer que minha mãe fez um escândalo (coisas de mulher!) e não me deixou dormir antes de achar a tal aranha dentro do meu quarto...
Mas me lembrei de tudo isso quando hoje uma colega de trabalho me pediu para tirar uma borboleta (linda, colorida) que estava atrás da cadeira dela. Não conseguia se concentrar. Não conseguia trabalhar. Foi muito rápido. Peguei a bichinha e a soltei. Confesso que a borboleta foi mais feliz lá, ao ar livre, do que atrás da cadeira da jornalista. Mas, que risco esse bichinho poderia ocasionar? Perguntei-me e sorri sozinha.
Para mim, somos todos criaturas divinas!!!

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