LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007
Marcos Martins<br>Equipe da Folha 
São aproximadamente quatro segundos. Mas parecem minutos, horas. Geram agonia, uma tensão que não dá pra explicar. No decorrer desse tempo várias coisas passam pela minha cabeça. E se eu fui vítima de um pirata virtual, que levou embora todo meu salário? E se eu fui vítima de mim mesmo, que entrei em algum lugar e gastei o que não devia? - como teme uma amiga minha.
O tempo é curto para que eu pense em saídas, caso algo dê errado. Mas é longo para que eu imagine diversas situações constrangedoras. A cara da atendente, a minha cara. Saio correndo? Desapareço dali? Penso até nesta crônica, mas o tempo ainda não me libertou. Ainda faltam dois segundos e a situação não evolui, apenas a minha apreensão. A fila já se forma atrás, pessoas olham no relógio. No delas o tempo não pára. No meu ainda falta um segundo. Um segundo, seus décimos, centésimos, milésimos... Que parecem dobrar, triplicar, a cada discando ou conectando, exibido pelo pequeno
visor..
Agústia, até o alívio chegar. A tela da máquina exibe aprovada. Sim, minha conta bancária tinha saldo e minha dívida acaba de ser paga. Todas as preocupações foram em vão, beirando o ridículo. Mas ainda não é hoje que vou me arrepender de andar sem dinheiro, querendo pagar tudo com o cartão de débito.
A moça me entrega o comprovante da alforria e agradece. Saio dali a passos rápidos, rumo à liberdade. Até que eu resolva entrar em outra porta e consumir mais alguma coisa. E viver outros terríveis quatro segundos.


