Você entra na sala de cinema, coloca a pipoca no colo, o refrigerante no braço da cadeira (agora existem locais específicos para os copos, vejam só) e se prepara para o início do filme. Mas até lá, muita coisa ainda está por acontecer. Antes mesmo das propagandas dos longa-metragens, a maioria das salas de cinema exibem comerciais internos. Mostram a localização das saídas de emergência e fazem, sutilmente, algumas solicitações: desligue o celular, os pagers (se é que alguém ainda tem algum); leve seu lixo quando o filme terminar, o que é uma maneira de preparar a sala para quem vai chegar, reduzir o tempo de limpeza e educar o espectador mais distraído (propositalmente ou não).
Falam também sobre as atrações tecnológicas da sala. Se o som é dolby, se as poltronas tem cadeiras reclináveis, se o braço da cadeira sobe no caso de você estar acompanhado. Sim, sim, agora não é mais necessário fazer malabarismos para abraçar o (a) companheiro (a) ou até ficar apenas de mãos dadas, os cinemas modernos facilitam isso para você. Assim como nas poltronas de avião, é possível subir a divisória. Enquanto você pensa tudo isso, as propagandas sobre as qualidades da sala ainda estão passando. Algumas são mais animadas, outras mais secas, apenas com os letreiros em destaque. Embora longos, os textos são pertinentes, mas nenhum deles falam o mais importante: é preciso silêncio numa sala de cinema.
Nesse caso, uma dica de texto para quem prepara as propagandas institucionais dos multiplex: ''Deslique seu celular imediatamente, coma pipoca sem derrubar os grãos no chão e nas pessoas ao seu lado, na sua frente e nas suas costas e - o mais importante - não comente as cenas durante o filme, caso contrário será convidado a sair da nossa confortável sala pelo lanterninha (ops, eles ainda existem?).

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