LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 31 de janeiro de 2007
Denise Ribeiro<br>Equipe da Folha 
Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discute no Fórum Econômico Mundial, na Suíça, com o ministro da fazenda Guido Mantega e com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o ritmo da queda da taxa de juros, eu me pergunto: compro ou não aquele vestido caríssimo que provei ontem e parece ter sido feito para mim?
Meu drama pode parecer mera futilidade, mas vai além. Certa vez ouvi um economista explicando que juro é aquilo que você paga para viver o hoje em prejuízo do amanhã. Ainda não estou pagando juros (graças a Deus!), mas a dúvida é: gastar hoje ou garatir relativa segurança financeira amanhã? O prazer efêmero de cada cigarro que se fuma (embora eu não fume, é só um exemplo), representa um dia a menos no final da vida. Cada confortável voltinha com o carro diariamente libera mais dióxido de carbono na atmosfera, que representará alguns graus a mais na temperatura do planeta em que viverão meus netos. Cada milk shake hoje, amanhã e depois, são alguns quilos a mais na balança e suspiros diante do espelho daqui a alguns dias.
Viver o dia de hoje plenamente é o que todos querem. Como abrir mão do que está ao nosso alcance já, em favor de um amanhã que ninguém garante que virá? Se depois de séculos de civilização e teorias econômicas ninguém conseguiu encontrar uma solução para o impasse, não sou eu que vou resolver isso sozinha. E a dúvida vai continuar persistindo. Compro ou não compro?


