LIGEIRAS - Viva a webcam!
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Denise Ribeiro<br>Equipe da Folha 
A história rendeu alguns minutos no horário nobre de domingo. Um casal de jovens brasileiros, ela morando em Nice, na França, ele em Xangai, na China, oficializaram o casamento em um cartório de Osasco, São Paulo. Todos conectados simultaneamente à rede mundial de computadores, com direito a transmissão da cerimônia também para os pais do noivo, que moram em Barcelona, na Espanha.
O namoro começou quando eles ainda moravam no Brasil. E a primeira separação veio quando o namorado foi morar com a família na Alemanha. Quando a namorada conseguiu, então, mudar para a França, o que representava um Oceano a menos entre os dois, ele já estava prestes a ir para a China. Entre idas e vindas os dois finalmente ficarão juntos. Em breve ela vai para Xangai.
A novidade é que, graças aos recursos disponíveis hoje, os noivos puderam acompanhar por câmeras as expressões um do outro no momento do ''sim''. Pais e testemunhas também tinham suas imagens sendo mostradas nas telas de computadores portáteis enquanto o juiz de paz oficializava a união. Todo o aparato tecnológico envolvido para encurtar tamanhas distâncias é sem dúvida surpreendente. Mas o casamento a quilômetros não é novidade.
Ainda no século 19, por exemplo, aqui no Brasil, Dom Pedro I casou-se por procuração com a princesa da Áustria, Leopoldina. Os noivos viriam a se encontrar apenas dois anos depois, quando a princesa finalmente chegou às terras brasileiras. Até então não podiam ouvir a voz um do outro e a única imagem que a noiva tinha de seu futuro marido era a de um retrato pintado sobre uma tela.
Os casais de hoje têm a sorte de dispor da rapidez da transmissão de dados, que permite um contato mais direto. Como é bom poder ouvir a voz do amado e ver o sorriso dele enquanto olha para a lente que o leva até você. Se no passado os casamentos por procuração eram motivados mais por arranjos políticos do que pela paixão dos noivos, agora a vontade de estar junto é que manda. E enquanto o momento de estar sob o mesmo teto não chega, viva a webcam!


