Hoje em dia todo mundo é DJ. E já que tocar discos roubando o talento alheio para fazer os outros ouvirem músicas e serem mais felizes está na moda, acho então que essa profissão poderia ter, digamos, uma evolução, não somente nas pistas de danças mas em outros lugares.
Pense bem, alguns ''DJs'' são até mais antigos que os de pista de boate. Como, por exemplo, os de supermercados. O consumidor não percebe, mas, de repente, pode mudar de idéia na hora de comprar xampu ao escutar ''We Don't Need Another Hero'', da Tina Turner. Ou lembrar de trocar o telefone ao ouvir ''I Just Called to Say I Love You'', do Stevie Wonder. E também desistir de ficar no local quando for executada qualquer faixa do Bryan Adams. Portanto, uma seleção mais adequada seria interessante, não? Imagina só ouvir ''We Are the Champions'', do Queen, na hora de comprar uma bola de futebol? Sensacional.
E os DJs de elevador? Sempre com aquele jazz comercial para que todos fiquem com ''cara de paisagem'' enquanto o piso desejado não chega. Alguns até inovam, executando coisas assobiáveis (claro, para as pessoas poderem assobiar enquanto dura o silêncio constrangedor no elevador); outros provocam, tocando ''Rádio Pirata'' do RPM; e a maioria apenas mantém o padrão, com um CD da turma do Snoopy e Charlie Brown.
Nossa vida seria mais interessante se tivesse trilha sonora em todos os momentos. Mas só se as canções valessem a pena. Porque ouvir Tracy Chapman na hora que está comprando um quilo de batata é algo, assim, modorrento.

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