Nesta semana fiquei com vergonha de ser jornalista. Não, nem é por causa do salário, a qualidade do ensino público ou porque todo repórter é (e muitas vezes precisa ser) chato. Mas porque muita gente resolveu mesmo agir sob interferência do tal ''Quarto Poder'' e condernar o casal mais badalado do momento, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá.
Veja bem, não estou aqui para defender ninguém. Que a história está bem esquisita, todo mundo sabe. Os indícios apontados em laudos da perícia chegaram a me convencer de que a possibilidade dos dois estarem envolvidos é grande. A resolução do caso por meio dessa investigação, aliás, seria sensacional para a polícia tupiniquim: ''O primeiro caso resolvido pelo CSI Brasil''.
Só que então, durante toda a semana, aconteceu por parte de muitos editores aquela vontade de ser Nicholas Marshall e fazer justiça com as próprias mãos. Matérias com gráficos mostrando como o casal teria matado a filha (e não com qualquer outra hipótese), depoimentos de relevância duvidosa se tornando prova cabal (para a imprensa), entre outras coisas. Aquele circo montado: pessoas protestando (muitas delas somente nessas horas) com cartazes ''salvem as criancinhas do Brasil'', gente querendo linchar os pais de Isabella; crianças assustadas, desorientadas nesse furdunço todo. Até o bêbado saiu do bar para cantar o ''parabéns post mortem'' em bolo improvisado.
No início desta semana, o pior (espero que isso seja o pior): a capa de uma revista apontando ''Foram Eles'', com letras miúdas atribuindo à polícia o levantamento dessa ''hipótese''. Letras pequeninas, como se você estivesse assinando contrato sem ler. O constrangimento foi enorme. No final, a vontade de encontrar a verdade se divide com o desejo de ver o mais rápido possível o encerramento de um episódio patético em nosso jornalismo.

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