Desenvolvi uma estranha paranóia nos últimos tempos. Acho que é algum tipo de transtorno obsessivo-compulsivo. Acredito que nenhum psiquiatra acharia minha conduta normal - mas ainda não procurei auxílio profissional.
Não confiro a fechadura três vezes ao sair de casa, não acho que esqueci a chaleira no fogão, não carrego guarda-chuva em dia de sol, não lavo as mãos compulsivamente, nada do gênero.
Mas alimento desde o ano passado o hábito mórbido de acessar constantemente o site www.impostometro.com.br, que deixo nos ''favoritos'' num dos computadores da redação.
Favorito nem de longe é o melhor adjetivo para descrever o que sinto em relação ao site. Dá uma espécie de susto, misturado com altas doses de revolta.
Os números que retratam o quanto a União, cada estado ou cada município já arrecadou desde o início do ano em tributos ficam pulando freneticamente na tela, rodando muito rápido. São bilhões em cima de bilhões - contando cada centavo.
Parte do seu dinheiro está ali. Sabe aquele carro novo que você não pôde comprar? Aquela viagem adiada por falta de verba? Está tudo ali. Não, não é para garantir saúde, educação, transporte ou segurança para você e sua família. Pelo menos não como deveria ser. Sei que o raciocínio é simplista está contaminado pela indignação, afinal os impostos são (?) o preço que se paga pela civilização. E a máquina precisa funcionar.
Mas não consigo deixar de arregalar os olhos para ver se enxerguei direito as cifras na tela. Ontem, por exemplo, o site informava que a União já arrecadou R$ 165 bilhões.
O Brasil não é um país pobre. O governo não é pobre. Mas o ralo da corrupção leva para o ralo, todos os dias, números que também se multiplicam, centavo por centavo. E isso tira a gente do sério.
É, o caso é grave: sofro de neurose de contribuinte. Parece que não tem cura, pelo menos não no Brasil.

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