O peso dos meus 34 anos caiu de repente sobre a minha cabeça. De um momento para o outro, eu, que me sentia espiritualmente recém-saída da adolescência, tive que encarar a dura realidade que está documentada na minha certidão de nascimento.
Os responsáveis foram meus colegas da aula de alemão, todos na faixa dos 18, 19 aninhos. O papo era ''ficar'' e os meninos falavam das façanhas nas baladas. Até que um deles veio com essa tirada: ''tá ligado na parada, véio? Tem cara que gosta de ficar com velha!'' Aí todos se alvoraçaram e eu começava a me sentir desconfortável. O mal-estar atingiu seu ápice quando o menino que se senta ao meu lado, acreditando ser discreto, apontou o dedo para a minha cabeça. Todos mudaram de assunto, constrangidos, ao perceberem que tinha uma ''velha'' presente na sala.
A velha aqui fez que não percebeu nada e continuou a tentar prestar atenção à língua de Goethe. Parece que aos olhos de qualquer pessoa com menos de 20 anos, alguém com mais de 30 já deveria estar usando bengala.
De acordo com o dicionário Aurélio, velho é um adjetivo que pode significar ''muito idoso'', ''antigo'', ''gasto pelo uso'', ''desusado, obsoleto''. Claro que sei que não estou mais na adolescência, até porque não curto Harry Potter e quase nem sei direito o que são os RBD. Mas também me recuso a ser encarada como velha.

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