LIGEIRAS - Fique quieto, menino
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de abril de 2008
Diogo Cavazotti<br> Equipe da Folha 
Ficar em silêncio em algumas ocasiões é, sem dúvida, a melhor opção. Sou uma prova viva de que ficar com a boca fechada poderia me livrar de vários problemas. A última saia-justa aconteceu em uma festa de lançamento de um evento de moda. O coquetel era composto de comida oriental, ou seja, muito sushi. Sou adepto do uso dos hashis, os famosos pauzinhos para degustar os petiscos japoneses.
Adoro exercitar minha mão na tentativa de manter os hashis corretos. Confesso que nem sempre consigo, mas não tenho vergonha em praticar na frente dos outros. Porém, enquanto me deliciava com os sushis e hashis, percebi que uma senhora não parava de me olhar. Até que ela chegou e disse que também sabia utilizar os pauzinhos, mas não havia encontrado nenhum.
Foi então que tive a brilhante idéia de entregar hashis para ela, já que estava tão animada em mostrar seus dotes manuais. A senhora utilizou os hashis de uma maneira própria, coisa que eu nunca havia visto. Ela segurou um pauzinho em cada mão, envolvendo o sushi e erguendo-o até a boca. Mas metade do petisco caiu e ela resolveu mudar a tática.
Espetou o sushi como se fosse uma azeitona e comeu, sem nem ligar para as pessoas que estavam ao seu lado. Ela não ficou envergonhada em nenhum momento, afinal, comia do jeito que podia. Quem resolveu sair do local rapidinho fui eu, afinal, quem mandou abrir a boca?


