LIGEIRAS - Eu sei, tu sabes, ele sabe
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Luiza Xavier<br> Equipe da Folha 
''Mana, é dos livros que você tira tudo o que sabe?'', perguntou a garotinha de 8 anos à irmã, 12 anos mais velha. ''Sim, é por isso que leio tanto. Quero saber cada vez mais. Você não acha isso bom?'', questionou a outra, que já estava no último ano da universidade. Sem hesitar, a criança saiu-se com esta: ''Eu acho é triste. Se você lê tudo dos livros é porque não tem nenhuma sabedoria que seja só sua''.
Embora tenha sido adaptado, esse diálogo é baseado ''em fatos reais''. Aconteceu na minha família e sempre rende boas gargalhadas quando lembrado durante algum almoço de domingo. Sempre que alguém recorda o episódio, outro emenda comentários do tipo ''ah, essas crianças de hoje em dia...''.
Noite dessas, ''devorando'' um dos livros que ganhei recentemente, lembrei desse episódio. Fiquei rindo sozinha, mas, logo em seguida, uma reflexão veio à tona: por que será que ouvimos tão pouco a nós mesmos? Não estou sugerindo que devemos seguir ''intuições'' ou algo assim. É que, se pensarmos bem, sabemos o que precisamos fazer nas diversas situações que nos são apresentadas.
Ou seja, apesar da pouca idade, minha prima estava com a razão. Temos uma sabedoria interior, que é só nossa. Todavia, insistimos em procurar soluções nos livros, nos templos, nos conselhos dos colegas, nas baladas, nos ''bares da vida'', nos shoppings, nos consultórios médicos, no divã do analista. Enfim, em qualquer lugar que não seja a nossa consciência.


