A fama dele, na capital, sempre foi grande. Já esteve aqui e dizem que é marcante. Mas nunca o conheci pessoalmente. Não que isso me fizesse falta. Pelo contrário. Queria distância. Não gosto, nunca gostei. Todas as vezes que estive por aqui, nos desencontramos. Ainda bem. Mas sabia que era questão de tempo: hora ou outra, seríamos apresentados.
Na véspera da quarta-feira ensolarada, já tinham me alertado: ''Ele chega amanhã''. Duvidei. Não sou São Thomé, mas só acredito vendo. Pelas ruas, a cada esquina, só comentários sobre ele. ''Agora ele vem mesmo'' - exclamou a moça. De cada cinco pedaços de conversas alheias que ouvi pelo caminho, quatro falavam dele. O jornal televisivo daquele casal também noticiou, os colegas comentaram. Uma página aqui da Folha tratava do assunto. Dei de ombros.
Para mim, que estou há apenas seis meses em Curitiba, seria um transtorno. Lá no Norte não acontece isso, pelo menos não dessa forma. E os últimos meses por aqui me deixaram com a ilusão que eu não passaria por isso. Ledo engano. Durante a noite já percebia que algo estava por vir.
A espera não demorou. De manhã ele invadiu minha casa, sem sequer bater na porta, perguntar se podia entrar. Não teve jeito: o frio chegou, instalou-se em casa e disse que não tem data pra ir embora. Tive que montar uma pilha de casacos, blusas e cobertores, para delimitar nossos espaços. Não contente, ele me acompanhou até o jornal - é daquelas visitas que não desgrudam de você. Agora terei que me acostumar, porque visita desse tipo é uma coisa. Vai saber até quando fica...

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