Dona Alzira tem um filho, Eugênio. Moço novo, formado em medicina. Vive trancafiado no hospital dando plantão. Sempre que surge um problema no prédio, Eugênio contribui com suas idéias e palpites. Nenhum dos vizinhos, no entanto, o conhece. Mas todo mundo sabe muito bem. Eugênio é contra o novo sistema de separação de lixo. E ''pelarmordedeus'', jamais usem a vaga dele na garagem.
As palavras de Eugênio chegam à vizinhança pela presença da mãe.
- ''Eugênio acha um desperdício de dinheiro essas lâmpadas novas.''
á - ''O Eugênio acha melhor trocar a fechadura da portaria.''
- ''Eugênio não gostou do reajuste na taxa do condomínio.''
Quando dona Alzira aparece, pode ter certeza, Eugênio vem junto.
Trata-se de um caso típico de vizinho imaginário. Um vizinho cheio de idéias, mas que nunca aparece. Só quem fala em nome de Eugênio é a embaixatriz da eugeniolândia, dona Alzira. Ninguém pode contestar o que ele diz, já que ninguém vai discutir com uma senhora de 70 anos. Só resta aos vizinhos evitar encontrar com dona Alzira e seu filho imaginário.

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