Gosto de estar no controle da situação. O barco não pode afundar enquanto eu estiver ali, no comando, verificando a condição do mar e passando as instruções aos marujos...
Em momentos de turbulência, meu método é o da tranquilidade. Na agonia, o sorriso é dissipado. Na doença, as atitudes são rápidas e eficazes...
Não existe nada pior do que depender dos outros... em todos os sentidos. Se tem que tomar uma atitude, não se pode esperar. A razão tem que ser a grande motivadora, e a emoção o complemento para que não se erre na escolha. Aliás, os homens erram tanto por não terem emoção...
Dias desses fui surpreendida por um destes comandantes machistas que pensam que apenas eles têm que ter controle de tudo. Daquele tipo rude. Exatamente como as mulheres admiram, mas temem.
Esse mesmo indivíduo se vestiu de marujo e me fez ficar, uma bela noite, no comando da embarcação. Fiquei surpresa. Perdi a capacidade de liderança por alguns minutos até que pudesse perceber que ele estava ali, humilde, para ser comandado.
...se despiu das amarras do dia-a-dia e me deu o controle do fundamento da vida. As chaves da decisão me foram ofertadas. Naquele imenso oceano, fui capaz de ver tudo ao mesmo tempo: cetáceos marinhos, delfinídeos, platanistídeos...
O mar e o rio se mesclaram na minha frente. As tempestades começaram. Tudo ficou absolutamente revolto. Não tive medo de naufragar. Permaneci ali. Com taquicardia. Notei que arquejava. Mas continuei firme. O marujo a me observar...
Já em terra firme, tive que confessar: foi exatamente nesta longa e terna viagem que perdi completamente o controle...

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