Depois de uma noite de tempestade, mesmo com nuvens ainda cobrindo o céu, era de se imaginar que não havia sobrado mais nenhuma gota d'água lá em cima. Por via das dúvidas, caso alguma nuvem engraçadinha tivesse reservado uns pingos para pregar uma peça em alguém desprevenido, levei o guarda-chuva. Já na rua me dou conta de que não só uma, mas todas as nuvens do céu tinham suas reservas ainda bem abastecidas. E eu tive a sorte de estar no meio do caminho quando elas decidiram despejar sobre o mundo toda a água suspensa disponível.
Em questão de minutos já não havia poças para serem puladas, e a água corria pela calçada em vorazes correntezas. O guarda-chuva tornou-se meramente figurativo porque o vento fazia o favor de levar água até a altura dos cabelos. E assim começou mais uma semana típica de Curitiba, em que o sol vai embora como se nunca mais fosse voltar.
Dizem que o sol tem o poder de melhorar o ânimo das pessoas e que por isso os povos dos países tropicais são mais expansivos e comunicativos. Deve haver alguma explicação biológica que eu desconheço, mas posso assegurar que sou prova disso. Nesses dias de céu nublado, mesmo sem chuvas apocalípticas como a que me pegou dias atrás, tenho a sensação de que o indicador da minha bateria vai parar no pé.
Não vejo a menor graça em ficar uma semana mofando nesse tempo de garoa fina, quase virando sapo. Não fosse pela necessidade de continuar com as atividades normais nesses dias de tempo ''instável'' (como gostam de dizer as simpáticas mocinhas que anunciam a previsão do tempo na televisão), até daria para brincar de soltar barquinhos de papel na enxurrada. Mas nada é tão animador quanto ver nossa principal fonte de calor e luz brilhando novamente. Eu quero sol!

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