Quando tinha uns 6 ou 7 anos de idade, assim como a maioria das crianças, eu também tinha uma imaginação muito fértil.
Entretanto, ao invés de criar situações e até pessoas inexistentes na vida real - os tais amigos imaginários - costumava ''eleger'' algumas figuras e passava a imaginar a vida delas, muitas vezes, ''criava'' uma história maravilhosa para os meus personagens. E queria ser parecida com eles.
Como ''ser grande'' também era outro objetivo, obviamente todos os alvos da minha atenção infantil eram pessoas ''mais velhas''. Uma delas, lembro até hoje, era a filha de uma vizinha.
Como toda adolescente do final dos anos 70, ela circulava para cima e para baixo com uma bolsa de couro a tiracolo. E as roupas, então? Eram maravilhosas, coloridas, que faziam o maior sentido para o meu olhar ingênuo. Eu achava a menina o máximo. E sonhava ter uma bolsa daquelas para levar para a escola em substituição à minha mochila de ursinhos tocadores de tambor!
Lembro que também adorava ir à casa de uma prima. Ela devia ter uns 15 anos. Tinha uma cabeleira ondulada, usava muitas pulseiras, brincos, era muito divertida e gostava de entreter a criançada. Claro que eu a achava linda e sonhava ser como ela.
Minha mais remota recordação de uma ''festa de arromba'' é um aniversário na casa dessa parente. Era 1978, tempos de ''dancing days'' e eu, aos 8 anos, achei o máximo a trilha sonora que fazia os então adolescentes se sacudirem feito doidos. Eram As Frenéticas no toca-discos.
Como normalmente acontece, perdi o contato com os personagens da minha imaginação. Elas tornaram-se ''reais'' demais, e eu também. Da vizinha hippie nunca mais soube. Minha prima que, mesmo sem saber, foi uma influência positiva na minha primeira infância, casou, teve três filhos, descasou.
Depois de muito tempo, quando já havia ingressado na faculdade, soube, pela minha mãe, que essa prima sonhava ser jornalista. A última notícia que tive dela, porém, foi a de que trabalhava em um supermercado.

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