LIGEIRAS - A teoria da relatividade
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Apesar de ser, pelo menos por fora, o que se normalmente se define como um ''palito'', no fundo sou gorda. Obesa mesmo. Fora as refeições, belisco o dia inteiro. Às vezes não paro de comer nem enquanto escrevo, para irritação geral de meus companheiros de mesa no jornal, que não se conformam com tanta comilança e passam vontade porque não sobra nada.
Chocolate, bolacha, X-picanha, empada, batata frita, bolo, creme de açaí, nada dura muito tempo. Não é raro almoçar duas vezes, quando a primeira refeição é feita antes do meio-dia. Lá pelas duas horas da tarde preciso comer de novo, senão não aguento esperar pelo jantar.
Não como só porcaria. Também carrego na bolsa barrinhas de cereal e frutas. Não tenho nada contra saladas saudáveis ou legumes cozidos, desde que venham devidamente acompanhados de um pedaço de alcatra.
Acredito piamente que esse negócio de calorias é relativo. Nunca contei quanto consumo, acho que devo gastá-las mais rápido que o salário.
De qualquer forma, as pessoas sempre buscam teorias para explicar minha mania de comer. Mas a última ''tese'' me deixou chocada: supostamente, todo o material ingerido serviria para alimentar uma taenia do tamanho de uma sucuri, que se encarregaria de consumir as calorias por mim.
Cruzes. Confesso que fiquei encucada. Será? E como poderia eu me livrar de um ''animal'' que no fundo só me ajuda, consumindo altruisticamente as calorias dos alimentos para mim?
Acho que eu estaria muito na contramão da ecologia se matasse a bondosa criatura. Alguém poderia me denunciar para o Greenpeace ou algo assim. Então, sosseguei. Batizei o bichinho de Magali e me recuso a ir o médico!


